Você faz uma boa gestão da sua escola de música?
Edição #062
No fim de semana passado aconteceu um dos maiores eventos para donos de escola de música do país: o Congresso CAEM.
Foi incrível. Eu e metade da equipe da Emusys estivemos lá como patrocinadores, ao lado de marcas como Roland, Rozini, Vibratom e Michael, entre muitas outras. Muita troca de ideia, história e experiência entre gestores e professores de escola de música de todo o Brasil.
Para você que não pôde estar por lá, nas próximas semanas vou trazer alguns destaques do evento. Começo com um resumo da minha oficina no congresso.
Você faz uma boa gestão da sua escola?
Essa foi a pergunta central da oficina. Depois de acompanhar de perto muitas escolas de música nos últimos 9 anos, cheguei a quatro perguntas que, na minha experiência, dizem se você faz ou não.
1. Você tem boas metas definidas?
O mais básico de tudo, e ainda assim o que muita gente não faz.
Toda escola deveria ter uma meta clara para o ano ou para o semestre: número de alunos, faturamento, lucro, espaço físico, número de professores. De preferência apenas um desses. O que for mais importante para você.
O grande benefício de ter uma meta é a clareza de priorização que ela traz.
Aquela ideia que você teve vale a pena executar? Se ajudar na meta, sim. Se não, não faz. Tudo fica mais simples.
Se você não tem isso claro hoje, comece por aí. O framework SMART ajuda bastante a transformar uma ideia vaga numa meta de verdade.
2. Você sabe qual é o seu maior obstáculo?
Todo negócio tem uma lista grande de problemas e coisas que poderiam ser melhores.
O difícil não é enxergar os problemas, é saber qual deles priorizar e qual deixar para depois. Qual é só um sintoma e qual é realmente a causa raiz do gargalo da escola.
Uma dica importante: evasão alta costuma ser o maior gargalo de qualquer escola de música.
Não adianta focar em marketing, vendas ou crescimento se a evasão está alta, é remar contra a maré. Se você não sabe o seu número de evasão, ou sabe e ele está alto, é aí que vale a pena focar antes de qualquer outra coisa.
3. Você tem um plano para resolver esse obstáculo?
O primeiro passo é listar tudo que você poderia fazer para resolver o obstáculo, tudo mesmo. Cada problema tem vários caminhos diferentes.
Se o maior obstáculo for poucos alunos novos, por exemplo, você pode buscar parcerias com colégios, investir em anúncios pagos, melhorar o processo de vendas, contratar um vendedor, contratar uma agência de marketing, fazer panfletagem, contratar um outdoor… Tem muita coisa.
Se faltar ideia, dá uma olhada no blog da Emusys ou, se você for cliente, pergunta lá na nossa comunidade.
Tendo as ideias, aí é só escolher o que fazer primeiro, priorizando por dificuldade, custo e resultado esperado.
Não existe bala de prata aqui. Todas essas coisas são experimentos, pode dar certo, pode não dar. O plano é como você vai aplicar cada ideia e em qual ordem.
4. Você está executando o plano?
Na oficina, foi de longe a pergunta onde mais gente disse travar.
E isso é natural: escola de música dá muito trabalho, e quase sempre é o próprio gestor quem começa fazendo toda a parte operacional.
Cobrança, agenda, atendimento, aula. Sobra pouco ou nenhum tempo para pensar de forma estratégica e executar o que realmente traz crescimento.
O caminho para sair disso é ir automatizando o que dá para automatizar (é aí que a Emusys ajuda bastante) e ir delegando o resto para alguém da equipe. Mas o ponto que mais faz diferença, se for o seu caso, é parar de dar aulas.
Já perguntei para vários donos de escola quando a escola deles realmente decolou. A maioria das respostas gira em torno da mesma coisa: foi quando pararam de dar tantas aulas e sobrou tempo de verdade para atuar de forma estratégica.
Se você tem as quatro perguntas respondidas com clareza, já está à frente da grande maioria das escolas de música do Brasil hoje.
Isso não quer dizer que vai sair tudo perfeito. Meta que não bate, plano que muda no meio do caminho, obstáculo novo que aparece: tudo isso faz parte do jogo.
O que importa é ter clareza e controle sobre o que dá para controlar. O resto é ajuste fino, e ajuste fino se faz com o tempo.
Até semana que vem,
Matheus Valin
Diretor da Emusys
P.S. Minha oficina incluiu um material com exercícios e espaço para reflexão para ajudar a responder essas perguntas. Você pode baixar clicando aqui.
