70 para 170 alunos. Quase sem marketing
Recentemente conversei com o Raphael da Silva, do Instituto Sus4.
A escola dele tem onze anos. Ele contratou a Emusys dois anos atrás, com 70 alunos. Hoje está com 170, lidando com as dores do crescimento: contador, prefeitura, alvará, Simples Nacional…
Recentemente estourou o limite do MEI e teve que migrar para ME. Todo o processo burocrático que vem junto com isso.
“Esse ano eu tô virando mais gestor do que músico”, ele disse.
Fiquei bem feliz por ele. Essa mudança pode ser chata, desconfortável, mas é o maior sinal de que a escola está crescendo e sendo um sucesso.
100 alunos em dois anos
Um dos assuntos que conversamos foi sobre esse crescimento.
Fiquei bastante curioso: qual foi a estratégia de marketing? Quanto ele investiu em tráfego? Quais foram as campanhas?
A resposta foi “quase nada”.
Ele nunca investiu pesado em marketing. Impulsiona posts no Instagram de vez em quando, segmentando por um raio de 5km ao redor da escola. O resto vem de boca a boca.
O que fez a escola dele crescer não foi muitos alunos novos entrando. Foi poucos alunos saindo.
O balde com furo pequeno
Como já falamos aqui na newsletter anteriormente, é muito mais fácil crescer uma escola de música quando a evasão é baixa e o tempo médio de permanência é alto.
No caso do Instituto Sus4, a taxa de evasão fica em torno de 4% e o tempo médio de permanência é próximo de um ano. Números que fazem o crescimento acontecer quase naturalmente.
E qual o segredo de uma evasão tão baixa?
Segundo ele: cuidar dos professores.
A sócia dele, Andresa, cuida da parte pedagógica. Acompanha cada professor de perto, treina, dá suporte… Quando alguém está com dificuldade, ela entra junto.
A escola também incentiva os professores a fazerem licenciatura. E alguns dos professores de hoje foram alunos que a escola ensinou por muitos anos, acreditou no potencial deles como professores e eventualmente contratou.
Ele me contou um detalhe que ilustra bem a filosofia deles.
Na recepção, os alunos têm água. No espaço dos professores, têm café, biscoito e um lugar bem cuidado para descansar entre uma aula e outra.
“Quem passa os 50 minutos com o aluno é o professor. Então a gente precisa cuidar dele.”
Parece óbvio quando alguém fala assim. Mas muitas escolas ainda invertem essa ordem: focam tanto na experiência do aluno que esquecem de quem, de fato, entrega essa experiência.
Professor bem cuidado dá boa aula. Boa aula fideliza aluno. Aluno fidelizado indica amigo.
E a escola cresce quase sozinha.
Até semana que vem,
Matheus Valin
Diretor da Emusys
Gestão com Sétima
Toda semana, uma edição direto da realidade de quem gere uma escola de música. Histórias reais, decisões difíceis e aprendizados que você não encontra em outro lugar.