R$40 a mais e ninguém reclamou
Edição #051
Algumas semanas atrás eu conversei com um dono de escola de música de Jundiaí/SP que foi forçado a aumentar o preço da mensalidade.
E o resultado não só não foi o esperado, como abriu uma possibilidade bem interessante.
A conta que não fechava
No início deste ano a escola dele estourou o limite do MEI, e ele precisou migrar para ME.
Estourar o limite do MEI significa que o faturamento anual ultrapassou o teto permitido para essa categoria (atualmente R$ 81 mil/ano).
Quando isso acontece, a empresa precisa ser regularizada como Microempresa (ME) e ignorar essa mudança pode trazer problemas sérios com a Receita Federal, incluindo multas e perda de benefícios fiscais.
Por isso, ao perceber que está se aproximando desse limite, o ideal é antecipar a migração com o apoio de um contador.
E você que já passou por isso, sabe: o imposto aumenta. Às vezes aumenta o suficiente para prejudicar muito a margem da escola.
O que ele faturava antes estava certo para o MEI. Para a ME, não. Ele precisava de mais receita para manter a mesma margem e a forma mais direta de fazer isso era aumentar a mensalidade.
O problema é que ele tinha acabado de reajustar o preço dos alunos antigos em dezembro.
Não dava para mexer de novo.
A solução foi aumentar R$ 40 na mensalidade só para matrículas novas.
Mais caro = menos matrículas, certo?
Essa era a preocupação dele. Alguém ia reclamar do preço, as matrículas iam cair, ia ter problema. Mas ele não tinha outra escolha.
No fim, não aconteceu nada disso.
O número de novas matrículas continuou igual à tendência dos meses anteriores.
Ninguém reclamou.
Ele continuou fechando novas matrículas como se nada tivesse acontecido.
Como já falei aqui antes, a gente nunca sabe como o mercado vai reagir a um aumento de preço até testar.
A maioria das escolas tem medo de aumentar e perder alunos e aí não aumenta nunca, ou aumenta só igual à inflação, ano após ano, enquanto os custos sobem.
Por mais que você ache que isso vai acontecer, faça o teste.
Você aumenta o preço das matrículas novas, mantém o dos alunos antigos, e observa. Se as matrículas caírem, você volta atrás no mês seguinte, e pronto.
Se não caírem (como aconteceu com ele) você acabou de aumentar sua margem sem fazer mais nada.
E tem mais: você pode repetir isso. Aumentou e continuou vendendo no mesmo ritmo? Daqui a três, quatro meses, aumenta mais um pouco.
Essa é uma das formas mais fáceis e mais negligenciadas de melhorar a saúde financeira da sua escola.
Vai testando devagar, sem pressa. Cada R$20, R$30 a mais por aluno novo pode parecer pouco, mas com o tempo isso faz muita diferença.O dono dessa escola em Jundiaí fez isso por necessidade. Mas não precisa esperar a conta apertar para começar a testar.
Até semana que vem!
Matheus Valin
Diretor da Emusys
Gestão com Sétima
Toda semana, uma edição direto da realidade de quem gere uma escola de música. Histórias reais, decisões difíceis e aprendizados que você não encontra em outro lugar.