Seu professor ensina tão bem quanto você?
Edição #065
Quase todo dono ou dona de escola de música começa como professor. Provavelmente esse também é seu caso.
Era você quem dava as aulas, você quem fechava as matrículas, você quem conquistava os alunos…
Aí a escola cresce, e cada vez mais não é você quem faz essas coisas. E junto com isso chegam as dúvidas: será que os professores vão converter a aula experimental do jeito que eu convertia? Será que vão reter aluno do jeito que eu retinha?
Às vezes é só medo. Mas às vezes é real: aquele professor perde aluno com mais frequência do que você perderia, e a experimental do outro fecha menos matrícula do que a sua fechava.
Essa diferença entre você e seus professores é uma das coisas mais difíceis de administrar numa escola de música. E merece atenção de verdade.
A boa notícia é que dá para encolher bastante essa diferença com três coisas.
Primeiro, documente como a aula deve acontecer
Não basta explicar falando. As pessoas esquecem, se perdem, e fica complicado cobrar depois.
→ Escreva um passo a passo de como você quer a aula experimental, de como o professor deve conduzir a turma, de como ele deve se portar desde a recepção do aluno até a despedida.
→ Depois apresente esse documento para o professor, explique cada parte com ele e combine que ele vai seguir esse passo a passo à risca.
A partir daí, ninguém mais diz “eu não sabia”. Você sabe exatamente o que foi combinado, e sabe exatamente onde o problema apareceu quando ele aparecer.
Só que documentar sozinho não garante que o combinado vai ser seguido. Você definiu o padrão, mas alguém ainda precisa acompanhar se o professor está de fato seguindo ele no dia a dia.
Segundo, dê feedback de verdade
Observe como cada professor trabalha.
Assista uma aula, ouça uma conversa dele com um aluno e depois compare o que você viu com o que ficou combinado no documento. Converse sobre isso com ele.
Elogie o que for bom na frente dos outros.
Reconhecimento público motiva e vira exemplo para o resto da equipe.
O feedback negativo segue outra regra: fale só com a pessoa, em particular, e do jeito mais construtivo que der.
Dar feedback ruim na frente de todo mundo constrange o professor, e um professor constrangido não escuta o que você tem a dizer, só quer que a conversa acabe.
O feedback corrige o que já aconteceu, mas tem um limite.
Se o professor só segue o padrão quando sabe que está sendo observado, falta a última peça: fazer com que ele persiga esse padrão porque quer, e não porque está sendo vigiado.
Terceiro, alinhe o interesse da escola com o interesse do professor
O que faz o professor perseguir o padrão sozinho, sem alguém cobrando, é ele enxergar um ganho pessoal nisso.
Pague bônus quando ele mantém um aluno por mais tempo. Pague mais por aluno antigo do que por aluno novo. Pague comissão quando a experimental dele fecha matrícula.
Quando o professor vê o próprio bolso melhorar junto com os números da escola, ele passa a se importar de verdade com reter aluno e converter experimental, com ou sem você olhando.
Sem esse alinhamento, você pede esforço extra sem oferecer nada em troca, e o padrão só se sustenta enquanto você estiver cobrando.
Essas três coisas, quando aplicadas juntas, fazem uma diferença enorme. E repara que nada disso é exclusivo do professor: vale igual para a secretária, para o coordenador, para qualquer pessoa que trabalha na sua escola.
Se o gargalo da sua escola hoje está exatamente nessa diferença entre o que você entrega e o que sua equipe entrega, comece por aqui. É uma das mudanças que mais rapidamente aparecem no resultado.
Até semana que vem,
Matheus Valin
Diretor da Emusys
