500 matrículas e 3 unidades…
Edição #064
Nas últimas semanas trouxe alguns aprendizados do Congresso CAEM. Hoje quero contar a história de uma oficina que me marcou bastante: a do Leandro Machado, sócio da Momento Musical, em Piracicaba.
A Momento Musical hoje tem 3 unidades e a matriz é uma das maiores escolas de música do país, com mais de 500 matrículas.
O tema da oficina foi como expandir uma escola de música sem perder a essência dela.
E para chegar nesse tema, Leandro contou a própria trajetória, com erros e acertos, desde muito antes de pensar em abrir uma segunda unidade.
Uma escola que já existia antes dele
A Momento Musical foi fundada pela mãe do Leandro, décadas atrás. Ele cresceu literalmente dentro da escola, brincando entre as aulas, vendo alunos e professores no dia a dia.
Por isso ele usa uma frase forte para descrever a própria história:
“Não entramos na Momento Musical, nós nascemos dentro dela.”
Para ele não houve um primeiro dia de trabalho, um momento em que decidiu entrar no negócio da família. A escola já fazia parte da vida dele antes mesmo de ele escolher isso.
Mas ele escolheu um caminho diferente antes de voltar
Antes de assumir a gestão, Leandro fez uma escolha diferente. Saiu e foi trabalhar fora, no mundo corporativo, longe da música.
Passou anos gerindo pessoas, cuidando de dados, resolvendo conflitos e organizando processos em outras empresas. Foi ali que aprendeu a linguagem da gestão, bem diferente da linguagem que cresceu ouvindo em casa.
Anos depois, voltou para assumir a Momento Musical. E foi aí que veio a primeira grande lição: respeito e credibilidade não vêm do sobrenome. Mesmo sendo filho da fundadora, ele precisou construir a própria credibilidade dentro da escola, do zero.
A escola que ele encontrou ao voltar
Quando voltou, Leandro encontrou uma escola com uma base forte. A marca já era respeitada na cidade, os professores estavam engajados e os alunos eram apaixonados. Ele chama isso de essência bem estabelecida.
Mas faltava estrutura. Os processos eram fracos ou nem existiam, as decisões ficavam concentradas numa pessoa só e os dados da escola não eram confiáveis. Ele resumiu esse momento numa frase: a escola precisava de profissionalização da gestão.
Foi com essa visão que, no início de 2020, ele montou um plano: organizar processos, criar indicadores e estruturar a gestão. Foi nesse mesmo momento que a escola contratou a Emusys, como parte desse esforço de sair do improviso. O objetivo era preparar a escola para crescer.
Cultura, gestão e os primeiros resultados
Poucos meses depois de montar esse plano, veio a pandemia. Sem prédio, sem sala de aula, sem palco para os recitais, restava só uma coisa: a cultura. E foi essa cultura que segurou tudo. Os alunos continuaram, os professores continuaram, mesmo com a escola fechada.
Foi nesse momento que Leandro foi além de organizar processos. Ele foi atrás dos próprios alunos e perguntou: por que você escolheu a Momento Musical? O que faz você continuar aqui? O que faz a escola ser diferente?
As respostas confirmaram os pontos fortes da escola e deram a ele uma frase que guiou o resto da jornada:
“O papel do líder não é inventar a essência do negócio, é criar as condições para que ela seja preservada e multiplicada.”
Foi a soma dessas duas coisas, a gestão profissional e a essência preservada, que fez a escola crescer de verdade. No fim de 2020, a Momento Musical tinha 270 matrículas. Em 2022, chegou a 400. Em 2024, passou de 500.
A ideia de abrir uma segunda unidade
Com esse crescimento, veio a pergunta natural: e se a escola abrisse uma unidade nova?
Leandro acredita que o sucesso da Momento Musical sempre veio da essência dela, do relacionamento que alunos, professores e colaboradores têm com a escola. Sem isso, ele não acredita que a escola teria dado certo.
E aí vinha a pergunta difícil: como repetir esse relacionamento numa cidade nova, onde ninguém conhece a escola, e sem ele estar presente todos os dias?
Por isso ele contou que o maior desafio da expansão não é logístico, é emocional: fazer um aluno de qualquer unidade sentir o que um aluno sentia trinta anos atrás, na unidade original, quando a mãe dele balançava seu carrinho enquanto dava aula.
Ele resumiu assim: expandir não é só abrir uma unidade nova, é propagar uma marca. Uma unidade pode copiar um processo, mas só a marca transmite a identidade real da escola.
A primeira cidade escolhida foi Campinas. Fazia sentido no papel, com identidade parecida com Piracicaba e perto o suficiente da matriz. Leandro montou uma equipe nova ali, do zero.
Só que contratar boas pessoas não foi suficiente. Elas tinham competência, mas não tinham os mesmos valores da escola, e sem isso o dia a dia não tinha a mesma energia de Piracicaba. Como ele definiu: “a cultura ainda não pulsava no dia a dia.”
A solução foi reformular boa parte da equipe, identificar quem realmente tinha o perfil para liderar dentro dos valores da escola, e aprender a gerir tudo à distância.
Foi mais trabalho e mais tempo do que ele esperava. “Campinas foi muito mais escola para a gente, do que a gente para Campinas”, ele disse.
Com essa lição, veio Jundiaí, a expansão aconteceu de um jeito diferente: um aluno da unidade de Campinas conheceu a escola, entendeu o plano de negócios e decidiu investir na marca. “Em Campinas aprendemos errando. Em Jundiaí a gente começou acertando”, ele contou.
O maior patrimônio da escola
No fim da oficina, Leandro resumiu tudo numa frase:
“Não são as unidades, nem os processos. É uma cultura que consegue ser vivida mesmo quando a gente não está presente.”
Empresas podem copiar método, estrutura, processo. Mas ninguém copia uma cultura vivida todos os dias.
Até semana que vem,
Matheus Valin
Diretor da Emusys
